Bobbie Goods: se você tem filhos no ensino fundamental – eu tenho! – já ouviu falar nos livrinhos de colorir fofos com ursinhos que viraram febre entre crianças e adultos, e que lideram as listas de livros mais vendidos desde o começo de 2025. Segundo a Wildlife, estúdio brasileiro especialista em jogos mobile, a febre também pôde ser sentida na demanda por jogos e aplicativos com a mesma proposta.

A Wildlife tem três deles, disponíveis para Android e iOS – Colorfy (2015), Color by Number (2017) e Paint By Number (2018) –, todos lançados já há alguns anos, mas somando quase um milhão de usuários mensais atualmente. Para a empresa, os números indicam que a prática de colorir livros se adaptou à era dos smartphones e tablets.

“Houve uma época em que surgiam dezenas de novos jogos de colorir por mês, pois as pessoas procuravam por eles”, conta Marco Aurélio Baboin, game director da Wildlife Studios, em entrevista ao The Gaming Era por e-mail. “Mas esse volume caiu muito, e os jogos que são grandes hoje foram os lançados há algum tempo. Os nossos jogos de colorir vieram evoluindo desde o lançamento e são muito melhores do que no início.”

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Segundo a empresa, os três jogos de colorir da Wildlife figuraram entre os 10 aplicativos mais baixados para iPad na App Store norte-americana, mercado que mais consome esse tipo de jogo, segundo Baboin. Em junho, a média de usuários ativos mensais para jogos de colorir da empresa em tablets e celulares atingiu 950 mil pessoas globalmente, 25 mil delas no Brasil.

O modelo de negócio dessas aplicações e sobretudo baseado em anúncios, e a maior parte dos usuários está em smartphones.

Pergunto ao executivo se faz sentido investir em apps de colorir, considerando que a Wildlife é mais conhecida por jogos mais elaborados – como os esportivos Tennis Clash e AFK Footbal, ou o MOBA War Machines, entre outros 60. Ele responde que muitas empresas acabam se especializando em gêneros específicos, mas a Wildlife prefere apostar em “boas ideias”.

“Nós fazemos o protótipo e vemos se é legal”, explica ele. Apesar do “interesse crescente” por apps que “combinam criatividade e relaxamento”, Baboin nega que a Wildlife deva lançar nos próximos meses um outro jogo de colorir. A ideia, segundo ele, é seguir “aprimorando e expandindo” a oferta de conteúdo nos três atuais.

“Hoje não temos nada nos planos, mas amanhã podemos ter alguma nova ideia”, pondera.